Carros elétricos e híbridos de marcas chinesas no mercado brasileiro

Antes da compra, entender quanto custa ter um carro elétrico ajuda a comparar de forma mais realista modelos de BYD, GWM, Geely e outras marcas.

BYD, GWM, Geely e outras marcas de origem chinesa deixaram de ser presença pontual nas ruas brasileiras. A eletrificação avançou rapidamente em 2026 e colocou modelos elétricos e híbridos entre as opções reais de quem antes olhava apenas para carros a combustão.

Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), os eletrificados já chegaram a cerca de 16% do mercado brasileiro no primeiro semestre de 2026. BYD segue como a principal força do segmento, enquanto GWM, Geely, Omoda Jaecoo e GAC ampliaram participação e rede no país.

Mas o preço anunciado na concessionária é apenas uma parte da conta. Antes de trocar um carro a gasolina ou flex por um elétrico, vale colocar no papel pelo menos seis despesas que podem mudar bastante de acordo com o modelo, a cidade e a rotina do proprietário.

1. Seguro pode mudar bastante entre BYD, GWM, Geely e outras marcas

Não existe uma tabela única de seguro para carros elétricos. Duas pessoas com o mesmo modelo podem receber propostas bastante diferentes porque as seguradoras consideram idade, CEP de pernoite, histórico do condutor, utilização do veículo, versão, franquia e coberturas contratadas.

Nos elétricos, há ainda pontos que merecem atenção adicional, como bateria de alta tensão, cabo de carregamento, disponibilidade de oficinas especializadas e assistência em caso de o veículo ficar sem carga.

Quanto custa ter um carro elétrico? 6 custos para analisar antes de comprar

Também não é correto partir do princípio de que todo elétrico será mais caro — ou mais barato — de segurar. Modelos da BYD, GWM, Geely, GAC ou Volvo precisam ser comparados individualmente.

Um guia publicado pelo Elétrico explica como funciona o seguro de carro elétrico, incluindo bateria, franquia, cabo de carregamento, assistência e diferenças entre modelos e marcas.

2. Carregar em casa e carregar na rua têm custos diferentes

Uma das principais vantagens do carro elétrico é poder sair de casa com a bateria carregada. Mas o custo depende diretamente da tarifa de energia, da eficiência do veículo, das perdas durante a recarga e da quantidade de quilômetros percorridos.

Quem possui garagem própria e instalação adequada normalmente consegue concentrar boa parte das recargas em casa. Em condomínios, por outro lado, podem existir custos de instalação, medição individual, adequação elétrica ou contratação de empresa especializada.

Nas estações públicas, o preço também varia. Há pontos gratuitos, carregadores com cobrança por energia consumida e redes que utilizam modelos diferentes de tarifação. Carregadores rápidos DC tendem a ser utilizados principalmente em viagens ou quando o motorista precisa recuperar energia em pouco tempo.

Para fazer a conta por kWh e comparar diferentes cenários, o portal Elétrico detalha quanto custa carregar um carro elétrico em casa e fora dela.

3. Wallbox e instalação elétrica também entram na conta

Nem todo proprietário precisa instalar um wallbox imediatamente, mas quem pretende utilizar o carro elétrico diariamente precisa analisar a infraestrutura disponível na garagem.

O investimento pode envolver carregador, circuito dedicado, proteção elétrica, aterramento, cabeamento e mão de obra profissional. Dependendo da potência desejada e da estrutura existente no imóvel, pode ser necessário adequar o quadro ou a entrada de energia.

Por isso, olhar apenas para o preço do wallbox é insuficiente. O custo real é o conjunto formado pelo equipamento e pela instalação necessária para utilizá-lo com segurança.

Também não adianta comprar um carregador muito mais potente do que o carro consegue utilizar em corrente alternada. O carregador embarcado do veículo estabelece um dos limites da recarga residencial.

4. IPVA pode mudar muito de um estado para outro

O IPVA é um dos pontos em que a localização do proprietário faz grande diferença.

Na Bahia, a Secretaria da Fazenda informa que veículos 100% elétricos avaliados em até R$ 300 mil têm direito à isenção do imposto. Isso pode representar uma economia relevante no custo anual de propriedade.

A regra, porém, não deve ser generalizada para todo o Brasil. Cada estado possui legislação própria, e benefícios podem estabelecer limites de valor, exigir determinadas características do veículo ou mudar ao longo do tempo.

Quem estiver comparando um elétrico com um carro flex ou híbrido deve consultar a regra vigente no estado onde o veículo será registrado antes de fechar a conta.

5. Manutenção tende a ser diferente, mas não deixa de existir

Carros 100% elétricos eliminam vários componentes presentes em motores a combustão. Não há troca de óleo do motor, velas de ignição ou sistema de escapamento, por exemplo.

Isso não significa manutenção zero.

Pneus, suspensão, alinhamento, ar-condicionado, filtros, limpadores, freios e componentes eletrônicos continuam exigindo acompanhamento. O peso elevado de alguns elétricos e a entrega imediata de torque também tornam importante observar desgaste de pneus e geometria.

O sistema de frenagem regenerativa pode reduzir o uso dos freios mecânicos em determinadas condições, mas discos, pastilhas e fluido continuam fazendo parte do veículo.

Além do custo da revisão, vale verificar a distância até uma concessionária ou oficina preparada para trabalhar com sistemas de alta tensão. Para quem mora fora de grandes centros, esse fator pode pesar tanto quanto o preço da manutenção.

6. Depreciação e valor de revenda ainda precisam entrar no cálculo

O mercado brasileiro de elétricos está mudando rapidamente. Novas marcas chegam, preços são reposicionados e modelos ganham atualizações em intervalos relativamente curtos.

Por isso, prever o valor de revenda de um elétrico apenas olhando para o comportamento histórico de carros a combustão pode ser arriscado.

Marca, rede de concessionárias, garantia da bateria, disponibilidade de peças, reputação do modelo e preço de um veículo novo equivalente influenciam diretamente o mercado de usados.

Esse ponto é particularmente importante para quem pretende trocar de carro a cada dois ou três anos. Uma economia mensal com combustível e manutenção precisa ser analisada junto com o valor estimado de revenda.

BYD, GWM e Geely já têm peso suficiente para mudar essa conta?

Os números mostram que essas marcas deixaram de ocupar apenas um nicho.

No primeiro semestre de 2026, a BYD liderou com folga o mercado brasileiro de eletrificados. GWM também acumulou dezenas de milhares de emplacamentos, enquanto a Geely cresceu principalmente com seus modelos elétricos e plug-in.

A ABVE também destaca a expansão de marcas como Omoda Jaecoo e GAC e o aumento da infraestrutura de recarga no país. Em julho de 2026, a entidade contabilizava mais de 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga.

Esse crescimento tende a melhorar fatores importantes para o proprietário, como disponibilidade de assistência, peças, oficinas e carregadores. Ainda assim, a estrutura varia bastante de uma região para outra.

Na Bahia, a conta pode ficar diferente por causa do IPVA

Para o consumidor baiano, existe hoje uma vantagem relevante: veículos 100% elétricos de até R$ 300 mil estão entre as hipóteses de isenção de IPVA informadas pela Secretaria da Fazenda da Bahia.

Isso significa que dois carros com preços próximos podem apresentar custos anuais bastante diferentes se um deles for totalmente elétrico e estiver dentro do limite previsto pela legislação estadual.

Híbridos não devem ser automaticamente incluídos nessa regra. O benefício precisa ser conferido conforme a tecnologia e a legislação vigente.

Além disso, quem mora em Salvador, Região Metropolitana ou interior deve considerar a disponibilidade de concessionárias, oficinas autorizadas e pontos de recarga nas rotas utilizadas com maior frequência.

Então carro elétrico é mais barato de manter?

Não existe uma resposta única.

Um proprietário que carrega em casa, possui isenção de IPVA e roda muitos quilômetros por mês pode encontrar uma estrutura de custos muito favorável. Outro motorista pode pagar mais em seguro, precisar investir na instalação elétrica e utilizar com frequência carregadores públicos pagos.

A comparação correta depende da rotina.

Custo O que verificar antes da compra
Seguro Cotação real para seu perfil, franquia e coberturas
Recarga Tarifa de energia, consumo do carro e uso de carregadores públicos
Instalação Tomada adequada, circuito dedicado ou wallbox
IPVA Regra vigente no estado e limite de valor
Manutenção Plano de revisões, pneus, peças e rede de oficinas
Revenda Mercado do modelo, garantia, rede e preço do veículo novo

Preço de compra não deve ser a única comparação

A expansão de BYD, GWM, Geely e outras fabricantes aumentou significativamente a oferta de carros eletrificados no Brasil. Para o consumidor, isso significa mais opções e uma disputa maior por preço, tecnologia e equipamentos.

Mas decidir apenas pelo valor anunciado na concessionária pode esconder uma parte importante da conta.

Seguro, forma de recarga, infraestrutura da garagem, imposto, manutenção e depreciação precisam ser analisados juntos. Em algumas rotinas, o elétrico pode oferecer uma vantagem financeira significativa; em outras, o benefício maior pode estar no conforto, desempenho, tecnologia ou conveniência de carregar em casa.

Antes de comprar, vale fazer a conta usando a própria quilometragem, tarifa de energia, cidade, perfil de seguro e tempo previsto de permanência com o veículo. É essa combinação — e não apenas a marca ou o tipo de motor — que mostra quanto o carro realmente vai custar depois que sair da concessionária.

Fontes consultadas

Dados de mercado e regras consultados em setembro de 2026. Condições de seguro, impostos, tarifas, preços e benefícios podem mudar conforme veículo, estado, seguradora e período.

Escrito por

Henrique Fernandes

Publicitário, Pós-graduado em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais, viciado em tecnologia.